Apresentação

Neste II Congresso Nacional de Medicina Tropical pretendemos contribuir para o reforço da medicina tropical como tema científico e área de ação profissional, de intervenção pedagógica e de esclarecimento da opinião pública.

O primeiro reuniu-se em Lisboa de 24 a 29 de abril de 1952, ao mesmo tempo que se comemorava o cinquentenário do então chamado Instituto de Medicina Tropical e do Hospital do Ultramar. Este segundo encerra as comemorações dos 110 anos do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

Inicialmente com um estatuto colonial, a medicina tropical tem vindo a assumir cada vez mais uma dimensão global. Empurradas no século XX para as regiões limitadas pelos Trópicos de Capricórnio e de Câncer, as doenças chamadas de tropicais têm vindo a reconquistar cada vez mais espaço em áreas anteriormente consideradas livres destes flagelos. Observou-se a epidemia de Dengue em Cabo Verde. Confirma-se a reinstalação do Plasmodium vivax autóctone na Grécia. Especula-se sobre o risco de febre amarela na Europa. A Chikungunya cobre uma área cada vez maior do globo, incluindo partes da Europa. Os EUA vem-se a braços com epidemias de vírus tropicais.

Esta evolução está associada às alterações climáticas, à mobilidade social (migrantes e viajantes), à pobreza, às doenças negligenciadas e aos medicamentos órfãos.

Pelo seu mandato o Instituto organiza este II Congresso na expetativa de que se discuta o que de melhor se faz em Portugal, nos países lusófonos e pelos nossos parceiros científicos, em relação aos temas identificados para debate.